No período de hegemonia da Igreja Católica Apostólica Romana, tendo sua origem com o imperador romano Constantino a partir do século IV, a supremacia da igreja católica foi ameaçada por alguns precursores reformistas tais como John Wyclif, John Huss, Girolano Savonarola, entre outros, até chegar ao divisor de águas: Matinho Lutero, o qual deu início ao movimento da Reforma Protestante.
A igreja católica, por observar a propagação dos ideais reformistas, iniciou o Concílio de Trento, dando início ao plano que ficou conhecido popularmente como Contrarreforma, no objetivo de acabar com a evasão de seus fiéis e barrar a 'ameaça' protestante.
INÍCIO DA REFORMA
Foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, propôs o debate sobre diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana. (Reforma Protestante, s.d.)
A publicação das 95 teses de Lutero não foi uma atitude em si mesma de rebelião contra a igreja católica, mas um ato considerado normal, sem nenhuma excepcionalidade para época, de se anunciar algo chamado de “disputa“ ou “justa teológica”.
[...] isso era um modo costumeiro de se anunciar uma “disputa” ou “justa teológica” entre os doutos de Wittenberg. Portanto, não se tratava de uma ação que deveria ter uma conotação individual, visto que as disputas eram debates que envolviam professores e estudantes. [...] Afinal, segundo as regras da eloquência, as “teses” deveriam ser vistas como “pontos a serem debatidos” em uma plenária de doutos. (Vianna, 2004)
O que Lutero realmente desejava era uma reforma interna na igreja católica afim de corrigir os erros doutrinais e as contradições em que a igreja romana caiu durante a idade média, especialmente a venda de indulgências, eram vistas por ele como uma ameaça à credibilidade da fé cristã e da Igreja de Roma. (Vianna, 2004).
RUPTURA COM ROMA
Segundo Nassif (2012) Martinho Lutero e seus partidários foram excomungados pela bula papal Decet romanum pontificem em 3 de janeiro de 1521 sem, contudo, terem sido condenados à pena de morte pelo pontífice romano.
Em 1518 Lutero foi investigado, a mando do Papa Leão X, pelo professor de teologia Silvestro Mazzolini, o qual o denunciou por se opor de maneira implícita à autoridade papal e declarou Lutero um herege.
Ainda Segundo Nassif (2012) em 15 de junho de 1520, o Papa advertiu Lutero com a bula Exsurge Domine, que o ameaçava com a excomunhão caso não repudiasse 41 pontos de sua doutrina, mas em outubro de 1520, Lutero enviou ao Papa seu escrito A Liberdade de um Cristão, em que diz: "Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus".
CONCÍLIO DE TRENTO
De acordo com Santiago (s.d.) o Concílio de Trento foi uma reunião de cunho religioso (tecnicamente denominado concílio ecumênico) convocada pelo papa Paulo III em 1545 na cidade de Trento, na área do Tirol italiano.
O Concílio de Trento, que durou 18 anos (1545-1563) e foi guiado pelos papas Paulo III, Júlio III, Paulo IV, Pio V, Gregório XIII e Sisto V em 25 sessões plenárias em três períodos diferentes (1545 a 1547; 1551 a 1552; 1562 a 1563), teve por objetivo combater o avanço do protestantismo que estava se expandindo por toda a Europa e ocasionando a perda de fieis por parte da igreja católica.
Com a promulgação do concílio estabeleceu-se o seguinte:
O concílio condenou a doutrina protestante da justificação pela fé, proibiu a intervenção dos príncipes nos negócios eclesiásticos e a acumulação de benefícios; também definiu o pecado original e declarou, como texto bíblico autêntico a tradução de São Jerônimo denominada "vulgata" (popular, ou de uso popular, em latim). Os sete sacramentos foram mantidos, assim como o celibato clerical, indissolubilidade do matrimônio, o culto dos santos e relíquias, a doutrina do purgatório e as indulgências, recomendando a criação de escolas para a preparação dos que quisessem ingressar no clero, denominando-as seminários. (Santiago, s.d.)
Além disso também ficou definido a Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas, retomada do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) para punir e condenar os acusados de heresias e a criação do Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos) afim de evitar a propagação de ideias contrárias à Igreja Católica.
CONCLUSÃO
O ato de Lutero em afixar suas 95 teses na porta do castelo de Wittenberg inicialmente não foi um ato de ruptura com a igreja romana, mas sim uma tentativa de propor a correção dos erros em que, à luz das sagradas escrituras, a igreja romana estava mergulhada, porém, com a não aceitação das teses propostas por Lutero, o ato inicial deste culminou no rompimento com àquela.
Com a Contrarreforma a igreja romana não teve o objetivo de refletir sobre suas atitudes à luz das sagradas escrituras, como propôs Lutero, pelo contrário, seu objetivo principal era o de combater as verdades pregadas por Lutero e seus seguidores afim de não perder sua hegemonia.
Bibliografia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Nassif, L. (25 de 06 de 2012). A excomunhão de Martinho Lutero. Fonte: Jornal GGN: http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-excomunhao-de-martinho-lutero
Reforma Protestante. (s.d.). Fonte: wikipedia.org: https://pt.wikipedia.org/wiki/Reforma_Protestante
Santiago, E. (s.d.). Concílio de Trento. Fonte: Info Escola: http://www.infoescola.com/historia/concilio-de-trento/
Vianna, A. M. (Março de 2004). Estudo Introdutório às 95 Teses de Martinho Lutero. Fonte: Revista Espaço Acadêmico: http://www.espacoacademico.com.br/034/34tc_lutero.htm

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